Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias da nossa gente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias da nossa gente. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

ANTÓNIO GONÇALVES, UM FILHO DA TERRA COM SELADA DAS PEDRAS SEMPRE PERTO DO CORAÇÃO

António Gonçalves é uma das personalidades mais populares de Selada das Pedras. Já lá vão 67 anos desde que a nossa linda aldeia o viu nascer. Mas, por mais tempo que passe, este seladense mantém as suas raízes bem ligadas à terra-natal, não obstante residir na longínqua e bela localidade de Sesimbra. Aliás, este é um dos casos em que não se aplica a expressão ‘longe da vista, longe do coração’: “Não me esqueço das minhas origens, da minha terra e da nossa gente, da família e dos amigos. Lembro-me diariamente da minha aldeia, que recordo sempre com saudade.”

Cresceu em Selada das Pedras, mas precocemente partiu em busca de um futuro mais risonho – como era timbre naquela época. Com apenas 13 anos de idade, rumou a outras paragens e descobriu novas realidades. “Foi aí que vi um comboio pela primeira vez, em Coimbra, para onde fui vender quadros”, conta ‘Ti Antonho’, como é carinhosamente tratado na aldeia.

A actividade de vendedor de quadros revelou-se uma autêntica aventura, levando-o a percorrer o País de Norte a Sul. “Comecei na zona de Aveiro, depois passei por Águeda, Valença do Minho, Covilhã, Algarve, Lisboa e Setúbal, distrito onde me fixei”, revela António Gonçalves.

No entanto, apesar das múltiplas viagens, o ‘cordão umbilical’ que o une a Selada das Pedras permaneceu sempre intacto, sendo ainda reforçado por visitas constantes. “As saudades da família e da aldeia sempre fizeram com que viesse à terra muitas vezes. Quando era mais jovem, vinha todas as semanas ou quinzenalmente, actualmente venho todos os meses à aldeia”, afirma ‘Ti Antonho’.

UM SAUDOSO PASSADO BEM PRESENTE

Os tempos de infância e juventude fazem já parte do passado. Porém, alguns acontecimentos marcantes continuam presentes no ‘baú’ de memórias de António Gonçalves. “Lembro-me bem dos tempos de jovem e, principalmente, das pessoas que já partiram e com as quais tinha uma forte ligação”, refere o seladense.

No que concerne a episódios concretos, ‘Ti Antonho’ não enjeita partilhar certas recordações de menino. “Uma vez, a caminho da escola, escondemos os pífaros e não nos podíamos esquecer onde os tínhamos escondido para os irmos buscar no regresso das aulas. Ainda hoje falamos sobre o famoso ‘pífaro da roçada’. E ainda todos se lembram!”, recorda o nosso interlocutor, que acrescenta ainda uma situação que deixaria, hoje em dia, muitas crianças de ‘água na boca’: “Como antigamente nevava muito, nós, os miúdos, juntávamo-nos na escola a fazer bolas de neve que chegavam a ter alguns metros de altura. Depois ficavam lá a derreter durante meses…”.

António Gonçalves relembra ainda um acontecimento caricato vivido uns anos mais tarde, na sua juventude: “Tinha adquirido uma motorizada em Oliveira do Bairro e, quando a trouxe à aldeia, nunca lá havia estado nenhuma, nem sequer havia estrada… Existia apenas um caminho e tive que levar a motorizada à mão para casa.”

UM AMOR PINTADO DE VERMELHO

Apaixonado pela sua aldeia, este homem tem outras paixões intensas. Uma delas é sentida em tons rubros e é capaz de rivalizar com o sentimento que nutre pela terra. “Não conseguia escolher entre o Benfica e Selada das Pedras, porque são dois grandes amores. O meu gosto pelo clube nasceu desde jovem e, assim que fui para Lisboa, tornei-me sócio, já há mais de 40 anos”, declara António Gonçalves.

O apego deste benfiquista ao seu emblema de coração é facilmente visível na sua vivenda em Selada das Pedras. A habitação encontra-se enfeitada com algumas peças alusivas ao Benfica, entre elas uma águia em pedra (na foto anterior). “Assim que vi essa águia, pensei logo que ficava bem à porta para decorar a minha casa”, explica o adepto ‘encarnado’.

A casa de António Gonçalves patenteia o seu sentimento benfiquista
E por falar no animal que simboliza o Benfica, a ave em pedra não foi a única a ter assentado arraiais no lar de António Gonçalves. “Tenho o prazer de a verdadeira águia Vitória já ter pernoitado na minha residência. Isso foi algo que me encheu de orgulho”, salienta este benfiquista, com enorme contentamento.

'Ti Antonho' fica agora a aguardar, com o coração a palpitar, para saber se a equipa de futebol do qual é afecto lhe tem reservadas algumas alegrias. Caso isso não aconteça, tem em Selada das Pedras o seu melhor 'porto de abrigo'...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

'TI' GRACINDA CHEGOU, VIU E FICOU... NA ALDEIA!

Não nasceu nem foi criada em Selada das Pedras, mas considera-se uma seladense de alma e coração. Gracinda de Jesus habita na nossa aldeia há mais de meio século e tem muito para contar…

Nascida há quase 81 anos no Muro, a cerca de 5 Km de Selada das Pedras, Gracinda de Jesus é actualmente uma das habitantes mais antigas da aldeia. Chegou ainda jovem à povoação, com 28 anos, e por cá assentou arraiais. “Já lá vão 53 anos… O meu marido tinha primos direitos aqui e vim para Selada das Pedras como caseira de uma fazenda de pessoas da aldeia. Trouxe para cá quatro filhos e o mais novo já nasceu em Selada das Pedras”, revela ‘Ti’ Gracinda.

Tendo chegado a Selada das Pedras logo “com a ideia de ficar”, Gracinda de Jesus afirma que essa mudança se traduziu num grande momento de viragem na sua vida, conduzindo-a a outra estabilidade e conforto. “Foi a minha sorte ter vindo para aqui. Passei grande parte da minha vida aqui e foi onde tive uma vida melhor. Cheguei aqui pobrezinha e, mesmo não tendo ficado rica, nada me falta. Quando aqui cheguei nem sequer casa tinha, andava de casa em casa”, afirma a octogenária.

Depois de 13 anos a viver em casa dos patrões, a questão relacionada com a falta de habitação própria acabaria por ser resolvida. “Há 40 anos comprei a minha casa, que, ao longo do tempo, foi sendo melhorada”, afirma orgulhosamente Gracinda de Jesus, que se sente “uma seladense de alma e coração”.

“HOJE É UM LUXO VIVER EM SELADA DAS PEDRAS”

Ao longo de mais de cinco décadas a residir em Selada das Pedras, ‘Ti’ Gracinda assistiu a inúmeras transformações decorrentes da evolução da povoação. Para ela, olhando para o passado, “é um luxo” viver actualmente na aldeia. “Não há comparação com os tempos antigos. Tínhamos que ir buscar a água à fonte e a luz existia apenas com candeeiros a petróleo. Agora já temos água e luz em casa. Antigamente nem havia estrada, existia apenas um caminho, tínhamos que andar sempre a pé. Hoje até já cá vem o padeiro e o merceeiro… Há uns anos, ninguém acreditava que isto iria estar assim”, refere Gracinda de Jesus.

Mas, como em tudo, há um senão. A desertificação que afectou o interior do País, e que inevitavelmente se fez sentir também em Selada das Pedras, é o único aspecto que entristece esta habitante seladense: “Antigamente a terra era mais pequena e tinha menos casas, mas tinha mais gente. As casas estavam cheias, com os casais e muitos filhos.”

No entanto, felizmente para ‘Ti’ Gracinda, ela não é das pessoas que mais podem queixar-se do isolamento, nem do esquecimento daqueles que lhe são queridos. “Recebo muitas visitas e muitos telefonemas. Tenho uns netos e uns filhos de ouro. São todos muito bons para mim”, conclui com enorme satisfação.

domingo, 31 de julho de 2011

ANSIADAS FÉRIAS EM SELADA DAS PEDRAS

O meio de Agosto costuma ser época de romaria a Selada das Pedras. Este ano crê-se que não seja excepção, com vários naturais e descendentes de filhos da terra a rumarem à sua aldeia do coração. Céu Antão é um desses casos, que ilustra perfeitamente o sentimento de muitos seladenses nesta fase.

Com o regresso à sua terra-natal cada vez mais próximo, esta mulher, nascida há 52 anos, confessa que já "sente ansiedade e anda a contar os dias" para passar um período de férias bem especiais na povoação onde viveu até aos 24 anos. "Gosto muito de ir a Selada das Pedras e costumo ir lá sempre que posso, especialmente nas quadras festivas, como o Natal e a Páscoa, e no Verão. Gosto de ir lá para ver a família, visto que alguns familiares só os vejo quando lá vou", diz D. Céu.

Céu Antão, tal como muitos outros seladenses, está ansiosa pelas férias na sua terra
Segundo a nossa interlocutora, qualquer ida à aldeia permite-lhe também recuar no tempo, trazendo-lhe gratas memórias: "Recordo-me que gozei muito naquela terra, onde havia muita alegria. Tenho saudades dos tempos em que lá havia muitos bailaricos e em que nos mascarávamos no Carnaval."

E o que mais cativa Céu Antão no Verão seladense? "Gosto muito de passar férias com a minha cunhada Lurdes, que é como se fosse minha irmã, e de ajudar nas festas, como é agora o caso do almoço-convívio. Aliás, conviver com as pessoas da terra na Casa do Povo é das coisas que mais gosto. Para além disso, gosto de ir às piscinas e às típicas festas de Verão", revela a esposa do Presidente do Grupo Regionalista de Selada das Pedras.

O pior mesmo, na óptica desta mulher, é o momento da despedida nestas idas à aldeia. "Fico sempre triste quando tenho que vir embora de Selada das Pedras. Sinto a falta daquele convívio e daquelas pessoas", afirma D. Céu.

Mas, para já, o tempo é de alegria: Selada das Pedras, que está sempre perto do coração, está mais próxima da vista a cada dia que passa!

domingo, 3 de julho de 2011

PASSADO E PRESENTE DE SELADA DAS PEDRAS VISTO PELOS OLHOS DE UMA ILUSTRE HABITANTE

Celeste Antunes é uma das figuras mais carismáticas de Selada das Pedras. Nascida e criada na aldeia, deu voltas pelo Mundo, mas sem assentar arraiais e cedo voltando às origens. Presentemente, é a habitante com mais tempo total de residência na povoação. Perante este trajecto de vida, tem, por isso, muito para contar acerca da evolução da terra.

Chegou a viver na Ilha Terceira, nos Açores (mais de um ano), em Lisboa (três anos) e até no estrangeiro, em Hamburgo, na Alemanha (mais de dois anos). No entanto, razões familiares levaram Celeste Antunes a regressar precocemente a Selada das Pedras. Há mais de 30 anos que habita definitivamente na sua aldeia-natal.

Poucos conhecem tão bem a povoação como a D.Celeste, que, desde que nasceu e ao longo dos tempos, foi assistindo ao crescimento da mesma. Diz esta senhora, que andou pelo Mundo, que a aldeia “mudou como da noite para o dia”, realçando as diferenças que têm o tamanho… do ‘mundo’! “Não há comparação entre a Selada das Pedras do tempo em que nasci e a de agora. Naquela altura, a aldeia tinha poucas casas, apenas nove, e era muito mais pequena. Não havia sequer uma estrada até à povoação e as pessoas deslocavam-se por um carreiro. As crianças iam para a escola a pé, mais de uma hora, quer chovesse ou nevasse”, conta a septuagenária.


A terra continua hoje a não ser habitada por muita gente, mas a realidade actual é bem distinta daquela que se caracterizava pelo isolamento e pelas dificuldades sentidas a vários níveis básicos. As mudanças são de tal forma abismais que a ‘Ti’ Celeste classifica a aldeia actual como “uma verdadeira cidade” quando comparada com outrora. “À vista do passado, tudo é diferente. Agora temos telefone, electricidade e água, pois chegámos a ter que andar nos poços a tirar água com um copo para os cântaros”, refere, confessando ainda que “nunca imaginava que um dia fosse possível existirem todas estas coisas na aldeia.”

MUDANÇAS ATÉ ABRANGERAM A VIDA RELIGIOSA DOS SELADENSES

Crente na religião cristã, Celeste Antunes desempenha a nobre função de mordoma da Capela de Nossa Senhora de Fátima. Reconhecendo tratar-se de uma tarefa que “ainda dá muito trabalho”, D. Celeste salienta, no entanto, que a executa “com todo o gosto”.

E até nestas coisas da fé também as melhorias em relação ao antigamente saltam à vista. “Tínhamos que ir à missa a outras terras. Íamos a pé, fizesse chuva ou sol, mas ninguém faltava à missa aos domingos. Agora é mais fácil, porque o padre já cá vem e todos os sábados temos missa na nossa aldeia. Hoje, ao contrário do que acontecia no passado, são algumas pessoas de outras povoações a vir à nossa para assistir à missa”, explica 'Ti' Celeste, com natural satisfação.

Existiram inúmeras transformações na povoação, todavia, há coisas que permaneceram inalteráveis. Dedicada à agricultura, Celeste Antunes mantém, aos 73 anos, a sua rotina diária, tal como outros habitantes da terra. “Todos os dias vou às três hortas que ainda tenho, de manhã e à tarde, mesmo que não tenha lá nada para fazer, vou sempre vê-las”, revela.

A finalizar, a mordoma da Capela de Selada das Pedras mostra ser uma boa anfitriã para todos aqueles que queiram visitar a aldeia, sublinhando que “as pessoas que vêm de fora serão sempre bem-vindas”.